IA na fotografia - A fase 3 da inteligência artificial: O que nos aguarda?
- Leo Saldanha
- há 4 dias
- 6 min de leitura
O ChatGPT não completou sequer três anos e já protagoniza um impacto que poucos anteciparam, não apenas na fotografia, mas em diversos setores

Com base em uma foto real, nova versão recria tudo de forma hiper realista...
A febre do estilo Ghibli não apenas colocou a OpenAI e o ChatGPT em evidência na mídia e nas redes sociais, mas também posicionou o universo da imagem no centro desta nova era para fotógrafos.
A propósito, ChatGPT adicionou 1 milhão de usuários em uma hora após adicionar novo recurso de IA.
A evolução da IA em três fases
Fase 1 - O ChatGPT introduziu conversas fluidas e, apesar de seu conhecimento limitado a períodos anteriores, causou impacto ao simular interações humanas em diálogos e textos.
Fase 2 - Surgiu a geração de imagens a partir de texto, com realismo moderado e recursos mais avançados como pesquisa na internet, criação de vídeos (SORA) e raciocínio aprofundado. As assinaturas Plus e Premium ampliaram as possibilidades de uso profissional e funções sofisticadas. Neste período, também presenciamos avanços em visão computacional, interações de estilo surpreendentemente humano e outras funcionalidades notáveis. As versões evoluíram rapidamente da 3.x para a 4, com aprimoramentos contínuos.
Fase 3 - Agora entramos no que acredito ser a terceira fase, focada especificamente na fotografia e no mundo da imagem. O ChatGPT (inclusive na versão gratuita) permite gerar conteúdos diversos com imagens extremamente realistas (semelhantes a fotografias), além de possibilitar a edição de imagens reais e transformações que impactam todos os nichos fotográficos.

3 selfies são o suficiente para gerar um retrato "profissional":

Textos grandes entram na imagem de forma perfeita...nenhuma outra IA consegue fazer isso neste nível...

FotografIA.Next: A nova fronteira
Nesta fase 3, que denomino FotografIA.Next, outras plataformas de IA seguirão os passos da líder (como já ocorreu com a tendência Ghibli), tanto na geração quanto na edição de imagens. Em testes realizados na comunidade VIP, constatei a facilidade de uso de um concorrente gratuito do ChatGPT. Consegui recriar a fotografia de uma modelo (de banco de imagens gratuito) em diferentes estilos, como formanda ou noiva. O rosto manteve-se reconhecível (com pequenas distorções, mas provavelmente satisfatórias para amadores). O tempo necessário para cada transformação foi inferior a um minuto, incluindo versões para perfil corporativo e LinkedIn.
Impactos e estratégias para profissionais
Esta fase 3 chega para transformar profundamente o mercado. Recomendo aos colegas fotógrafos que fortaleçam suas marcas, assinaturas visuais e experiências, posicionando-se através de narrativas e conexões emocionais. Alguns profissionais (talvez muitos) estão adotando uma postura contrária à IA, mencionando explicitamente a tecnologia e geradores de inteligência artificial em suas comunicações. Questiono se esta é a estratégia mais eficaz, pois lembra as polêmicas do Uber, quando a mídia divulgava a marca, inadvertidamente aumentando seu reconhecimento. Uma reflexão necessária.
Já observamos fotógrafos inovadores abraçando esta transição: alguns estão criando serviços híbridos onde combinam sessões fotográficas tradicionais com pós-produção assistida por IA, oferecendo aos clientes tanto a experiência autêntica quanto resultados impossíveis de obter apenas com câmeras. Outros estão usando a IA como ferramenta de pré-visualização, mostrando aos clientes composições e estilos possíveis antes mesmo de realizar o disparo. Há que esteja faturando com impressão fine art e na combinação entre foto real + IA para ensaios. E também quem já fatura vendendo para tantos clientes que buscam o real quanto aqueles que pedem só sintético (exemplo: avatar ou clone de IA). Em vários destes casos, a expansão de faturamento com linhas novas de produtos e serviços é evidente.




Reflexos inusitados - O impacto desta fase varia significativamente entre os segmentos: fotojornalistas enfrentarão questões de credibilidade e autenticação mesmo criando imagens reais e sendo fundamentais para o jornalismo; fotógrafos de produto poderão ver grande parte do trabalho comercial básico automatizado; enquanto fotógrafos de casamento e eventos sociais poderão enfatizar o valor da experiência ao vivo e dos momentos autênticos como diferencial frente às imagens geradas. Cada nicho precisará desenvolver estratégias específicas de adaptação.


O efeito nocivo e financeiro - No curto prazo, veremos pressão sobre os preços de serviços fotográficos básicos e padronizados (apertador de botão sem diferenciação). Paradoxalmente, o trabalho fotográfico autoral e de alta especialização tende a se valorizar pelo contraste com o conteúdo gerado por IA. A reconfiguração econômica deste mercado provavelmente seguirá o padrão de outras indústrias criativas impactadas pela tecnologia: comoditização do básico e premium para o excepcional.
Quanto tempo vai durar a fase 3 e como pode ser a fase 4?
Estimo que esta Fase 3 se desenvolverá intensamente pelos próximos 12-18 meses, antes que possamos observar sinais de uma Fase 4, possivelmente caracterizada pela integração profunda da IA em dispositivos fotográficos físicos e fluxos de trabalho completamente automatizados. Os fotógrafos têm esta janela de tempo para se adaptar e redefinir seus diferenciais no mercado. Obviamente minha visão deste horizonte é meramente especulativa e pode ocorrer de forma imprevisível ou mesmo antes desse prazo e com desdobramentos inesperados.
Em novembro de 2022 eu entrevistei a IA (ChatGPT) e na época ela dizia que a inteligência artificial não tomaria o lugar do fotógrafo. Agora, quando perguntamos para várias dessas IAs (concorrentes inclusive) a resposta é outra. Veja no exemplo o que a IA Claude diz:
O profissional do futuro próximo será um 'fotógrafo aumentado', que domina tanto aspectos técnicos e artísticos da fotografia tradicional quanto as nuances da engenharia de prompts e edição assistida por IA. Esta nova geração de profissionais não verá a tecnologia como adversária, mas como uma extensão de suas capacidades criativas, ampliando possibilidades sem abandonar a essência do olhar fotográfico.
Decide então, perguntar mais no detalhe o seguinte para Claude. Primeiro mostrei para essa IA minha visão da fase 3 como está no texto. Veja a resposta:
Eu: a pergunta que fiz para chatGPT em 2022 indicava na resposta que a IA não tomaria o lugar do fotógrafo...agora é diferente não?
Claude - Você levanta um ponto crucial. Houve definitivamente uma mudança significativa entre 2022 e agora.
Em 2022, as respostas do ChatGPT sobre o impacto da IA na fotografia provavelmente refletiam uma visão mais conservadora e tranquilizadora. Naquele momento, as ferramentas de geração de imagem como DALL-E, Midjourney e Stable Diffusion estavam apenas começando a mostrar seu potencial, com resultados que, embora impressionantes, ainda tinham limitações evidentes e qualidade inconsistente.
Agora, em 2025, o cenário é radicalmente diferente. O que chamamos de Fase 3 representa uma transformação muito mais profunda:
A velocidade de evolução foi exponencialmente mais rápida do que a maioria dos especialistas previu
O realismo atingido pelos sistemas atuais supera as expectativas que tínhamos em 2022
A acessibilidade dessas ferramentas (inclusive em versões gratuitas) democratizou recursos que antes eram inimagináveis
O que mudou fundamentalmente não é apenas a capacidade das ferramentas, mas a natureza da substituição. Em 2022, a narrativa era que "a IA não substitui a criatividade humana" - o que ainda é verdade em certo sentido. Porém, a realidade que enfrentamos agora é que a IA pode substituir o trabalho fotográfico técnico e comercial de nível básico a intermediário com qualidade suficiente para muitos usos.
Sua análise de fases captura exatamente isso: não estamos mais falando de ferramentas auxiliares, mas de uma tecnologia que começa a competir diretamente com profissionais em vários nichos do mercado.
A pergunta já não é "a IA vai substituir fotógrafos?", mas sim "quais tipos de trabalho fotográfico permanecem exclusivamente humanos, e por quanto tempo?" - uma mudança de perspectiva fundamental que justifica plenamente sua preocupação com a adaptação dos profissionais.
Convido você a se preparar, compreender os impactos, estudar e adaptar-se. Nas últimas semanas e meses, abordei estes temas em profundidade. Não por acaso, alterei o nome da comunidade de Fotograf.IA para Fotograf.IA + Clube do Empreendedor (C.E.Foto). Por quê? Porque a IA já integra a fotografia nos negócios, na produção e na criatividade. Esta evolução continuará e representará uma transformação sem precedentes—um processo já iniciado e que se intensificará. E sim, existem oportunidades em diversas áreas com esta tecnologia, como a história do mercado e suas transformações já demonstrou. Espero que tenhamos aprendido essas lições. Faça parte da Comunidade VIP: [Fotograf.IA+C.E.Foto]
A propósito, vou abordar esse tema em profundidade no dia 23/4 aqui >>>

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